“Cega, ó Tempo voraz, as garras do leão,
E dos tigres arranca os dentes à maxila;
Faze que a terra coma a própria geração,
E a fênix, no seu sangue em chamas, aniquila!”
Soneto XIX – William Shakespeare
“Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final”
Sobre o tempo - Pato Fu
Tempo. Não existe nada capaz de gerar sentimentos mais contraditórios. Intrigante, fascinante e intangível o Tempo já foi objeto de estudo dos mais inteligentes cientístas, matéria de reflexão dos mais importantes filósofos a razão de vida de obcecados historiadores e tema lírico dos mais expressivos poetas. Seu manto invisível a tudo e todos cobre e sobre tudo e todos exerce seu poder.
São muitos os efeitos do Tempo sobre o mundo, efeitos maravilhosos e terríveis. É ele que tudo cria e tudo destrói. Sua passagem permitiu a expansão da matéria no universo, a criação dos mundos e estrelas. Com a mesma facilidade que seus milênios moldam os cenários mais belos, poucos de seus meses são a duração da vida inteira de uma borboleta.
Dia a dia percebemos sua influência universal. Sem o Tempo não seria possível que a semente se tornasse ramo, ou que deste surgisse um botão a desabrochar em flor. Mas é o mesmo Tempo que murcha a flor, e a amarela, e a seca, e a mata.
É o Tempo que nos permite criar belas lembranças, mas também é ele que nos afasta destes bons momentos, os transformando de realidade paupável a memória abstrata.
O Tempo também é um poderoso remédio e disso não há dúvidas. Só ele é capaz de curar o coração partido. Mas é este mesmo tirano que mata o sentimento e transforma um grande amor em amizade, indiferença, ou ainda em repulsa e ódio.
É o Tempo que nos traz sabedoria, mas ele próprio faz com que ela chegue tarde demais para que possamos aproveitá-la.
O Tempo é cruel e brinca conosco. Demora a passar quando precisamos que as horas voem, mas aperta o passo quando tudo o que desejamos é a estagnação dos ponteiros do relógio.
Enfim, o Tempo é nosso pai e senhor. Às suas rígidas regras estamos sujeitos e a verdade mais severa é que não existe teoria da relatividade que as consiga driblar.

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