não sabe o tempo ter firmeza em nada;
e nossa vida escassa
foge tão apressada
que, quando se começa, é acabada. (Camões)
Estava vendo fotos do passado. Não de um passado muito distante, mas de uma página que virei há pouco tempo. Fotos de dois, três anos atrás. Quem diria que tanto mudaria em tão pouco tempo. Eu definitivamente não sou a mesma pessoa que aparece naquelas imagens. Não foi apenas meu cabelo que mudou, mas eu. É como se na naquela época eu conhecesse a teoria das coisas, mas só agora conseguisse colocá-la em prática.
Mas não é de mim que quero falar, e sim daquelas pessoas que me cercavam nas fotos. Amigos, colegas, gente com quem não encontro mais. Com uma ou duas pessoas ainda mantenho um contato maior, mesmo uma delas tendo colocado o oceano atlântico inteiro entre nós. Isso é amizade.
Pergunto-me como todas essas pessoas de minha vida passada estão. Terão mudado tanto quanto eu sinto que mudei? Continuarão as mesmas? Será que se nos reencontrássemos teríamos o mesmo riso leve de outrora? O mesmo ar despreocupado, a mesma facilidade de nos entendermos?
A minha nova vida não é ruim. Tenho excelentes amigos e colegas que trazem toda a jovialidade e companheirismo que eu poderia querer. E a maioria deles eventualmente também passará e será, no fim das contas, apenas fotos digitalizadas guardadas na memória de um computador e em minha memória falha. E eu, nostálgica como sou, terei a mesma reação de agora ao visitar essas lembranças. A dor da saudade de um quadro tão perfeito que só a passagem do tempo permite pintar.
Fico me imaginando velhinha, sentada em uma cadeira de balanço com um gato gordo no colo, remexendo em fotos antigas (em uma espécie de palmtop futurista, claro). O que sentirei ao ver me tão jovem, ao lembrar de um mundo que será, provavelmente, muito diferente daquele em que estarei vivendo? Saberei reconhecer meus amigos, chamá-los pelos nomes? Conseguirei me lembrar das situações vividas, da importância que um dia tivemos na vida uns dos outros? Terá alguma dessas amizades sobrevivido ao tempo?
Não, não quero tentar advinhar meu futuro. É melhor que o tempo ande sem que se perceba, ainda que estejamos fadados a, de vez em quando, encarar sua passagem. Mesmo porque, nas palavras de Manuel Bandeira: “Só o passado verdadeiramente nos pertence. O presente... O presente não existe: Le moment où je parle est deja loin de moi. O futuro diz o povo que a Deus pertence. A Deus... Ora, adeus!”
Mas não é de mim que quero falar, e sim daquelas pessoas que me cercavam nas fotos. Amigos, colegas, gente com quem não encontro mais. Com uma ou duas pessoas ainda mantenho um contato maior, mesmo uma delas tendo colocado o oceano atlântico inteiro entre nós. Isso é amizade.
Pergunto-me como todas essas pessoas de minha vida passada estão. Terão mudado tanto quanto eu sinto que mudei? Continuarão as mesmas? Será que se nos reencontrássemos teríamos o mesmo riso leve de outrora? O mesmo ar despreocupado, a mesma facilidade de nos entendermos?
A minha nova vida não é ruim. Tenho excelentes amigos e colegas que trazem toda a jovialidade e companheirismo que eu poderia querer. E a maioria deles eventualmente também passará e será, no fim das contas, apenas fotos digitalizadas guardadas na memória de um computador e em minha memória falha. E eu, nostálgica como sou, terei a mesma reação de agora ao visitar essas lembranças. A dor da saudade de um quadro tão perfeito que só a passagem do tempo permite pintar.
Fico me imaginando velhinha, sentada em uma cadeira de balanço com um gato gordo no colo, remexendo em fotos antigas (em uma espécie de palmtop futurista, claro). O que sentirei ao ver me tão jovem, ao lembrar de um mundo que será, provavelmente, muito diferente daquele em que estarei vivendo? Saberei reconhecer meus amigos, chamá-los pelos nomes? Conseguirei me lembrar das situações vividas, da importância que um dia tivemos na vida uns dos outros? Terá alguma dessas amizades sobrevivido ao tempo?
Não, não quero tentar advinhar meu futuro. É melhor que o tempo ande sem que se perceba, ainda que estejamos fadados a, de vez em quando, encarar sua passagem. Mesmo porque, nas palavras de Manuel Bandeira: “Só o passado verdadeiramente nos pertence. O presente... O presente não existe: Le moment où je parle est deja loin de moi. O futuro diz o povo que a Deus pertence. A Deus... Ora, adeus!”
Cristiane Neves
29/10/2006
23:03
Domingo
Cris, o Atlantico nada mais e que uma poca (nem tao grande assim) de gotinhas de agua salgada. Essa lonjura toda a qual voce se referiu e percorrida rapida e diariamente ao mais simples comando de qualquer dos deuses dessa nossa era: gmail, yahoo, facebook...
ResponderExcluirAmizadades minha cara, nunca esteveram tao imunes aos virus do tempo e da distancia.
Carol